Nem tudo que reluz é ouro
Posted: quinta-feira, 13 de maio de 2010 by Alan Zz inEm tempos de paz verde, aquecimento global, dos movimentos super, mega
pops de ser verde é cool, de sacolinhas de pano, de vegetarianismo
ecológico, dentre outras coisas, acabamos depois de en(es)tupidos e
massificados, por esse propagandismo exagerado, por nos sentimos
felizes e satisfeitos nos achando tremendamente ecológicos quando
compramos nossa sacolinha de pano, mas ainda continuamos a produzir lixo
inútil em grande escala, aceitamos essa falácia ecológica e nos
afastamos da verdade real, pouco nos importando que compartilhamos um
planeta frágil e o único que temos, continuando nossos mandos e
desmandos, sem tomarmos atitudes efetivamente positivas frente aos
problemas ambientais que enfrentamos.
Quando helicópteros surgem voando baixo, os cabritos montanheses param
de pastar, viram a cabeça em direção aos ruídos e começam a correr. Com
o corpo fora dos helicópteros, óculos escuros e rifles automáticos, fica
fácil. Os cabritos rolam na relva. Os filhotes são poupados, não por
compaixão, mas por serem alvos difíceis. Milionários excêntricos caçando
na África? Não, ecólogos financiados pela ONU, tentando preservar a
biodiversidade da Ilha de Isabela, nas Galápagos. Na ausência de
predadores, os cabritos levados para lá no século XIX, pastaram até
deixar a ilha desnuda.
Programas de extermínio, apesar de pouco divulgados, existem há décadas
e, no ambiente restrito das ilhas, tem sido um sucesso. Tais idéias não
param por ae, é nossa falsa supremacia humana que nos permite agirmos
com esse desdém por nosso planeta e nossos co-habitantes.
É a prepotência do bicho-homem, que descobriu a ética, a ecologia e
sofre da culpa de estar alterando os ambientes em que vive. Nossas
tentativas de manipular ecossistemas complexos são provavelmente
inúteis. O homem quer produzir bois mais gordos em poucos meses,
cenouras gigantes, mas esquece-se que tais forças, assim como os
furacões, o instinto de reprodução e a competição entre as espécies são
forças por demais poderosas para serem controladas. Se desejamos
restringir nosso impacto ambiental no planeta, o melhor é controlarmos
nossas atitudes predatórias, nosso crescimento populacional desordenado,
nossos hábitos irracionais quanto ao amanhã. Podemos começar sendo um
pouco mais conscientes da boca para dentro, do lixo orgânico excessivo
que produzimos, de nosso individualismo habitacional.
Acredito que o erro é acharmos que nossa capacidade de destruir
ecossistemas nos habilita a controlar a interação entre os seres vivos e
o ambiente, assim podemos dormir mais tranqüilos, achando que estamos
por cima da carne seca, quando na verdade estamos é com o cú encima do
estopim.
